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POLíTICA

Em carta, Flávio Bolsonaro se autodeclara presidente eleito e reafirma liderança da oposição

Em carta divulgada após chegar a Miami, senador contesta vitória de Lula e agradece acolhimento de Donald Trump

Há 2 horas • por Da Redação
Em carta, Flávio Bolsonaro se autodeclara presidente eleito e reafirma liderança da oposição
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em entrevista coletiva no Congresso Nacional, em abril de 2026. Foto: Ton Molina/Agência Senado
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5:28

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou, nesta quarta-feira (28), uma carta em que se autodeclara presidente eleito do Brasil, contesta o resultado das eleições presidenciais e anuncia que pretende liderar a oposição ao governo Lula (PT) mesmo que dos Estados Unidos. O documento foi publicado horas depois de o parlamentar desembarcar em Miami, após deixar o território brasileiro pela fronteira com a Argentina.

Na abertura da carta, Flávio afirma dirigir-se ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o legítimo vencedor da disputa presidencial. Derrotado por Lula no segundo turno, realizado no último domingo (25), o senador sustenta que houve fraude eleitoral e acusa autoridades brasileiras de atuar para impedir sua chegada ao poder.

“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, diz a carta.

O parlamentar questiona especialmente a decisão de prorrogar o horário de votação no segundo turno. Segundo ele, a medida teria submetido eleitores a regras diferentes e comprometido a legitimidade do pleito. Flávio também acusa a campanha de Lula de abuso de poder político e econômico e defende a cassação da chapa formada pelo presidente e pelo vice, Geraldo Alckmin.

Mesmo com os argumentos, o resultado das urnas permanece válido, e a autodeclaração de Flávio não possui efeito jurídico sobre o processo eleitoral brasileiro.

STF e a saída do Brasil

Outro ponto central da carta é a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio acusa o ministro Alexandre de Moraes de promover uma perseguição política contra ele e sua família, associando a decisão de apreender seus passaportes a uma tentativa de silenciar a oposição.

O senador cita que a iniciativa judicial teria sido colocada em andamento apenas sete minutos depois da conclusão da disputa eleitoral. Ele também afirma que sua saída do país foi motivada pelo receio de sofrer novas medidas restritivas, como prisão domiciliar e eventual condenação.

Flávio deixou o Brasil apesar de uma determinação judicial que exigia a entrega de seus passaportes e impedia sua saída do território nacional. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o parlamentar ingressou nos Estados Unidos com o passaporte diplomático, conferido a ele pelo cargo de senador da República, e com uma autorização humanitária de permanência por um ano.

Na carta, o senador rejeita a caracterização de sua saída como fuga e argumenta que decidiu permanecer no exterior para continuar exercendo sua liderança política. Ele ressalta que não havia mandado de prisão contra si quando deixou o país.

Leia também: O que está por trás da decisão de Moraes contra Flávio?

Agradecimentos a Trump e Milei

Flávio também dedica parte do documento a agradecer aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei.

O senador elogia o acolhimento recebido em território norte-americano e classifica Trump como “um defensor da liberdade de expressão”. Segundo ele, os Estados Unidos oferecem a segurança jurídica que considera inexistente no Brasil.

A manifestação reforça a aproximação política entre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e o governo republicano norte-americano, construída durante a campanha presidencial.

Apesar do apoio manifestado por Trump à entrada de Flávio nos Estados Unidos, não há reconhecimento oficial do governo norte-americano de que o senador seja o presidente eleito do Brasil.

Oposição comandada do exterior

Ao anunciar seus próximos passos, Flávio afirma que pretende organizar uma frente de resistência política ao governo Lula, mobilizando parlamentares, governadores e eleitores que apoiaram sua candidatura.

O senador dirige um recado específico aos congressistas eleitos com seu apoio e menciona o senador Rogério Marinho (PL-RN), seu candidato à Presidência do Senado. Segundo Flávio, integrantes da oposição estariam submetidos a restrições que dificultariam o exercício da atividade política no Brasil.

O parlamentar promete realizar pronunciamentos regulares e apresentar, nos próximos dias, uma estratégia de mobilização política por meios que classifica como pacíficos e legítimos.

Na tentativa de justificar sua atuação a partir do exterior, Flávio estabelece paralelos com personagens históricos que enfrentaram períodos de exílio, entre eles Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí. Também menciona opositores venezuelanos, como Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.

A estratégia representa uma nova etapa na atuação política do senador após o resultado eleitoral. Ao reivindicar a condição de presidente eleito e anunciar que comandará a oposição dos Estados Unidos, Flávio busca manter sua liderança sobre o eleitorado bolsonarista e internacionalizar o confronto político com o governo Lula e o Judiciário brasileiro.

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