Hoje há dois artigos publicados hoje (9) que buscam mapear o voto não-lulista (que é diferente de um voto antilula) e entender como ele vai se manifestar nas eleições de 2026.
No primeiro, o cientista político Renato Dolci, especialista em estudo de redes sociais, afirma que, pela análise de postagens ligadas à direita, é possível identificar nove categorias diferentes: direita conservadora, de oposição popular (antipetistas), liberal-tradicional, direita institucional (centrão), liberal, antissistema, reativa, doutrinária e internacionalizada.
Ele não estimou o tamanho de cada segmento a partir de pesquisas de identificação, mas por volume de participação nas redes sociais, o que pode trazer distorções. De todo modo, ele chega à conclusão de que, de uma maneira geral, não há um domínio personificado dos grupos. Isto é, não há uma direita bolsonarista que domina esse campo, como Lula faz com a esquerda. .
“Antipetismo de chegada”
Nesse sentido, o artigo conversa com outro, publicado em O Globo, de autoria do Maurício Moura, presidente do instituto Ideia. No texto, ele sugere que a pulverização de candidatos de direita, que hoje está levando a eleição para o segundo turno, pode ser anulada pelo fenômeno “antipetismo de chegada” que ocorre, segundo ele, desde 2014.
Ele define esse fenômeno assim: “ao constatar o risco real de Lula vencer já em 4 de outubro, haverá uma pressão social, política e mental enorme, entre eleitores de oposição, para descarregar votos em um candidato que possa evitar a vitória petista.”
Isso vai acontecer, ele sugere, porque Lula, pela ausência de outros candidatos à esquerda, já vai reunir no primeiro turno quase todo o estoque de votos reservado para ele. Diante dessa circunstância, vai aumentar os incentivos para os diversos espectros da direita se unirem em torno do mais viável já na primeira votação.
Incógnitas
A tese que está subentendida na hipótese de Moura é que o antipetismo vai ser força suficiente para unir segmentos de direita diferentes. Faz sentido?
Em 2022, isso não ocorreu. Boa parte da direita liberal tradicional, aquela que mais próxima do que um dia foi o PSDB, preferiu ir com Lula, apostando que ele seria responsável do ponto de vista fiscal e moderado em relação à esquerda raiz. Há sinais de que tenham mudado de posição? Difícil afirmar que sim.
Outra coisa importante é a quantidade de conflito e críticas que a direita vai travar entre si durante o processo eleitoral. Isso pode impedir uma colaboração mútua num primeiro turno e até em um segundo turno se for muito profunda e bélica. Essa questão, no entanto, só poderá se respondida com a campanha em curso.
Convicção do eleitor
Por isso, hoje, por mais que possa haver o “antipetismo de chegada”, o cenário de solução da eleição em primeiro turno em favor da direita é improvável.
A tendência no curto prazo é o mercado de oferta de candidatos de direita se apresentarem para essa demanda de eleitores de direita que, como mostra Dolci, é muito segmentado.
Isso já está acontecendo e, não por acaso, a pesquisa do instituto Ideia, do próprio Maurício Moura, mostrou ontem que o nível de convicção do eleitor está diminuindo e não aumentando, tendo atingido a maioria dos entrevistados em abril (51,4%).




