Caio Junqueira, um dos jornalistas mais informados sobre os bastidores do caso Master, calcula que a delação de Daniel Vorcaro deve ser concluída entre o final de junho e o mês de setembro, considerando os prazos médios desse tipo de medida.
Isso torna a delação um dos principais eventos do calendário eleitoral deste ano.
Incerteza nas eleições
Provavelmente, este é um cenário que não agrada a ninguém, considerando o alcance já evidenciado das relações do ex-banqueiro. Há uma forte injeção de imprevisibilidade no processo político e isso coloca em xeque a lisura do resultado eleitoral.
Ao final, dependendo do relatório e do que for vazado ao longo do processo, haverá sempre quem acuse a autoridade investigativa – ou mesmo o investigado – de tentar influenciar as eleições.
Menos propostas, mais virulência
Com uma bomba programada para detonar durante a campanha, o debate de agendas tende a perder força e a virulência dos discursos a aumentar. A criação de fossos profundos levará, como já se viu em 2014, a rompimentos entre os atores. Depois da eleição, isso aumentará o custo da governabilidade, pois alianças ficarão mais difíceis de serem costuradas.
Por último, é importante lembrar que a própria autoridade investigativa está sendo questionada. Nesta semana, viu-se uma atuação intensa dos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino para colocar limites nas CPIs. É provável que haja um trabalho de contenção do processamento da delação dentro do STF e do uso de informações derivadas daí na comunicação dos candidatos. Tudo em um clima de disputa e desconfiança entre ministros.
Do ponto de vista da disputa, candidatos sofrerão com incerteza e nomes que não forem mencionados por Vorcaro terão uma oportunidade de favorecimento. Sob a perspectiva da saúde e da qualidade do debate eleitoral, trata-se de uma ameaça real. Ela reduzirá a agenda de propostas e comprometerá a qualidade do processo como um todo.




