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POLíTICA

Debater propostas ainda é essencial para vencer a eleição

Resposta para problemas reais é o que provavelmente mais motiva eleitores não polarizados que vão decidir eleição

Há 47 dias • por Leonardo Barreto
Debater propostas ainda é essencial para vencer a eleição
Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: PR e Agência Senado
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O modelo espacial do voto e o teorema do eleitor mediano são as ferramentas mais utilizadas para definir estratégias de posicionamento do candidato.

Elas se complementam na medida em que a primeira busca saber, em uma escala de preferências (podem ser ideológicas ou de qualquer outra natureza), como a população está distribuída.

Por exemplo, a pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda (10) apresenta a seguinte distribuição dos eleitores considerando sua preferência em relação à polarização: Não Polarizados (23%); Bolsonaristas Convictos (27%); Lulistas Convictos (23%); Anti-Lula e Anti-Bolsonaro (8%); Bolsonaro como Alternativa (8%); Lula como Alternativa (6%).

O segundo instrumento aponta que vence a eleição quem conseguir uma conexão com o eleitor mediano, isto é, aquele que tem as características mais próximas da maioria da população. Ele pode estar, assim, mais à esquerda ou mais à direita.

Mediana

De forma simples, o eleitor mediano é o número 50 de uma fila de 100 pessoas. Hoje, se somarmos a partir do polo lulista (Convictos + Lula Alternativa), tem-se 29% (faltando 21 pontos para 50%). No caso do polo bolsonarista, tem-se 35% (15 pontos para chegar em 50%).

O que falta a cada um está no grupo de eleitores não polarizados (23%) e nos antis (8%). O eleitor mediano, portanto, está fora da divisão e exige que o discurso dos candidatos seja eficiente e direcionado para aqueles que não se identificam com nenhum dos polos.

Não estando capturado pelos polos ideológicos, o que move esse eleitor? Há duas forças clássicas: (i) seu grau de satisfação com o governo atual e (ii) a conexão maior ou menor com a visão de futuro apresentada pelos candidatos.

Satisfação e visão de futuro

Para a primeira variável, a satisfação do governo o coloca em uma zona perigosa. Em 2014, Dilma Rousseff tinha entre 37% e 38% de avaliações positivas e 50% de aprovação: venceu com 51,6%. Jair Bolsonaro, nesse mesmo momento em 2022, tinha entre 35% e 37% de visões positivas e 42% de aprovação; perdeu a eleição com 49,1% dos votos.

Lula tem, segundo a pesquisa Nexus, 34% de “ótimo+bom” e 46% de aprovação.

Uma boa forma de interpretar esse dado é que as pessoas não estão felizes e, portanto, estão abertas a considerar outros projetos. Ou seja, o jogo precisa ser jogado.

Daí a importância da segunda variável: qual o grau de conexão das propostas dos candidatos com aquilo que o eleitor deseja?

Bolha

Nesse aspecto reside um grande risco para os candidatos dos polos. Falar apenas para a bolha. No caso do PT, a tentação é fazer uma exaltação excessiva da imagem de Lula. Para Flávio Bolsonaro, a maior possibilidade de erro é fazer da libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro a maior causa nacional.

Em nenhum desses casos o eleitor que está preocupado com o custo de vida e se encontra endividado vai se ver no discurso e no centro das propostas dos candidatos.

Respostas para problemas reais é o que provavelmente mais motiva eleitores não polarizados e é a partir daqui que os candidatos devem formular sua matriz de risco. É por isso que, apesar de toda a polarização que cria um barulho quase ensurdecedor, ao final, debater propostas ainda importa.

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