Às vésperas das convenções partidárias, a definição dos palanques estaduais é a tarefa mais urgente das campanhas presidenciais. Se as previsões de uma eleição decidida por margem estreita se mantiverem, a capacidade de mobilização nos estados pode conquistar votos decisivos. O PT realiza sua convenção em 2 de agosto com praticamente todo o mapa eleitoral consolidado — resta apenas solucionar um impasse em Goiás. O calendário impõe pressão adicional ao PL. A legenda oficializa a candidatura de Flávio Bolsonaro no próximo dia 25 de julho, ainda com seis estados sem definição e sem vice anunciado.
Lula aposta em capilaridade
Para construir palanques em 26 estados e no Distrito Federal, o PT recorreu a uma estratégia que combina candidaturas próprias onde o partido possui maior densidade eleitoral e alianças com partidos de centro e centro-esquerda — e, em diversos estados, também com legendas tradicionalmente associadas ao Centrão. Em alguns casos, isso exigiu concessões internas e a renúncia a candidaturas petistas para preservar alianças consideradas mais competitivas.
Nos últimos dias, o principal impasse da campanha foi resolvido em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. Após meses de negociações infrutíferas, o PT decidiu lançar o deputado federal Patrus Ananias ao governo estadual. A escolha foi respaldada por Lula e acabou reunificando o partido. Ex-prefeita de Contagem, a petista Marília Campos sofreu pressão para assumir a vaga, mas resistiu em abandonar uma candidatura ao Senado com alta chance de sucesso por uma empreitada incerta. Ela deu apoio imediato a Patrus e a tensão dentro do partido foi superada
Já em Goiás, persiste um conflito entre a direção nacional do PT e o diretório estadual sobre quem deverá representar o partido na eleição para o governo. Em junho, o diretório estadual do PT escolheu o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno como pré-candidato. Lula e a cúpula do PT defendiam o nome da deputada federal Adriana Accorsi, mas ela recusou o posto para concorrer à reeleição à Câmara dos Deputados. Dirigentes nacionais veem o nome de Bueno com ressalvas, temendo dificuldades para atrair aliados de centro-esquerda ao palanque do presidente no estado. A disputa ameaça causar até mesmo uma intervenção do diretório nacional na célula local do partido.
Flávio busca solução em 5 estados
O PL já estruturou palanques em cerca de vinte estados, consolidando especialmente o Sul e o Centro-Oeste, regiões que deram maioria dos votos a Jair Bolsonaro em 2022. Alianças, no entanto, continuam pendentes em Alagoas, Amapá, Maranhão, Minas Gerais e Pernambuco. Paralelamente, o partido continua tentando atrair Republicanos e a federação União Progressista (União Brasil e PP) para a chapa, o que influencia a escolha da vaga de vice, que deve ser ocupada por uma mulher.
Flávio procura preservar sua força nas regiões mais favoráveis ao bolsonarismo e ampliar gradualmente sua presença em estados competitivos por meio de acordos regionais. Em vários casos, o partido prefere apoiar candidatos de outras legendas de centro-direita com boa projeção nas pesquisas eleitorais.
O principal obstáculo continua sendo Minas Gerais. O PL aguarda a decisão do senador Cleitinho (Republicanos), que se arrasta há meses, sobre a candidatura ao governo estadual. Pernambuco e Maranhão também permanecem entre os estados mais difíceis para a campanha, refletindo a maior influência histórica do campo lulista no Nordeste.
Outro elemento que condiciona as negociações é a postura dos grandes partidos do Centrão. PP, União Brasil, Republicanos e MDB evitam, em grande medida, declarar apoio nacional antecipado, autorizando seus diretórios estaduais a adotar soluções distintas conforme a realidade local.
Os demais concorrentes
Embora Lula e Flávio concentrem a disputa nas pesquisas de intenção de voto, outros três candidatos buscam construir presença nacional durante o período das convenções. Ronaldo Caiado (PSD) dispõe de uma rede expressiva de candidatos competitivos aos governos estaduais, mas o PSD tem privilegiado a neutralidade em diversos estados, permitindo que seus aliados apoiem diferentes presidenciáveis. Romeu Zema (Novo) aposta numa estratégia ainda mais flexível, apoiando candidatos de diferentes partidos conforme as circunstâncias locais para ampliar sua inserção territorial. Já Renan Santos, do Missão, adota caminho distinto: o partido pretende priorizar candidaturas próprias e evitar coligações estaduais, apostando na consolidação de uma identidade programática nacional, ainda que com estrutura territorial significativamente menor que a de seus principais adversários.




