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POLíTICA

Caiado será lançado à presidência pelo PSD de Kassab

Governador de Goiás prevalece sobre Eduardo Leite; anúncio deve ser formalizado em entrevista coletiva na tarde desta segunda, 30

Há 180 dias • por Carlos Graieb
Caiado será lançado à presidência pelo PSD de Kassab
Kassab e Caiado: opção pela direita. Foto: Divulgação/PSD
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3:28

O governador de Goiás Ronaldo Caiado será lançado nesta segunda-feira, 30, em São Paulo, como pré-candidato à Presidência da República pelo PSD. Uma entrevista coletiva marcada para as 16h deve formalizar o anúncio. A menos que ocorra uma reviravolta de última hora, a escolha consolida a vitória interna de Caiado sobre o governador gaúcho Eduardo Leite, após a surpreendente desistência do paranaense Ratinho Jr., que até a semana passada era considerado favorito dentro da legenda.

Direita

A escolha desloca o PSD em direção à direita no plano nacional. Tanto Ratinho Jr. quanto Eduardo Leite representariam alternativas mais centristas, com maior potencial de diálogo com o eleitorado moderado. Caiado é o que mais se aproximou do bolsonarismo ao longo dos últimos anos –embora rejeite a condição de aliado automático. “Não sou preposto de ninguém”, afirmou em entrevistas recentes, ao defender a independência moral de um eventual governo. Ainda assim, o governador goiano esteve presente em diversos palanques ligados ao bolsonarismo, onde defendeu anistia ao ex-presidente e fez ataques contundentes ao Supremo Tribunal Federal e ao PT.

No entorno da campanha de Flávio Bolsonaro, a leitura é que a entrada de Caiado na disputa ajuda o filho de Jair Bolsonaro na tentativa de a parecer mais moderado. Em tese, haveria espaço para que Caiado capturasse eleitores bolsonaristas insatisfeitos com essa estratégia de moderação. Na prática, essa hipótese é considerada remota: o peso do sobrenome Bolsonaro e a expectativa de forte influência do ex-presidente em um eventual governo do filho tendem a manter esse eleitorado coeso.

A escolha de Kassab

A decisão também empurra o PSD comandado por Gilberto Kassab para mais longe do governo Lula – ainda que não represente uma guinada ideológica formal à direita. Kassab, que deixou na semana passada um cargo na gestão do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, construiu ao longo dos anos uma reputação de habilidade no diálogo com partidos de todas as cores, garantindo espaço em governos de orientações opostas. A candidatura de Caiado tensiona esse equilíbrio: as críticas do governador goiano a Lula devem dificultar a manutenção da atual participação do PSD na Esplanada. Nas próximas semanas, ficará mais claro quantos dos quatro ministérios hoje ocupados pelo partido poderão ser preservados.

Para Lula, o novo cenário pode não ser necessariamente desfavorável. Eduardo Leite, caso fosse o escolhido, teria maior capacidade de atrair eleitores independentes com inclinação moderada ou mesmo levemente à esquerda. Caiado, por sua vez, reforça o campo da direita, que já conta com nomes como Romeu Zema, o próprio Flávio Bolsonaro e Renan Santos. É um candidato com perfil combativo, que tende a confrontar duramente o presidente nos debates e na propaganda eleitoral. Mas, se a pancadaria for excessiva, Lula poderá explorar a narrativa do líder que enfrenta sozinho um exército de adversários, alternando-a com a de vítima de ataques generalizados, conforme a conveniência da campanha.

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