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REVISTA V

A força global das famílias empresariais brasileiras

O país tem exemplos notáveis de como grupos familiares se tornaram atores poderosos da economia contemporânea

Há 111 dias • por Da Redação
A força global das famílias empresariais brasileiras
Jorge Gerdau Johannpeter. Foto: Grupo VOTO
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3:31

Um estereótipo persistente sustenta que empresas familiares são con­servadoras, avessas à inovação e pouco adaptadas às exigências de uma economia cada vez mais tecno­lógica e competitiva. Quem lança um olhar atento sobre o capitalismo global sabe que essa é apenas uma meia-verdade.

Empresas familiares podem, de fato, se tornar excessiva­mente cautelosas, prisioneiras da tradição ou da influência de seus fundadores. Mas aquelas que con­seguem institucionalizar a inovação tendem a se transformar em atores formidáveis da economia contem­porânea — em boa medida porque combinam essa capacidade de reno­vação com atributos que lhes são característicos, como visão de longo prazo, estabilidade acionária e forte identidade organizacional.

Family Business Index

O para­doxo é que a mesma estabilidade que pode produzir acomodação também pode fornecer os recursos, a paciência e a continuidade neces­sários para apostas estratégicas de longo prazo. O Brasil abriga exem­plos notáveis desse fenômeno, como demonstra o Family Business Index, levantamento bienal produzi­do pela EY em parceria com a Uni­versidade de St. Gallen que reúne as 500 maiores empresas familiares do mundo.

Na edição divulgada em 2025, o país aparece com 13 repre­sentantes entre as companhias ana­lisadas (veja quadro). Juntas, elas ajudam a ilustrar como o capitalis­mo familiar brasileiro continua ca­paz de produzir organizações com­petitivas em escala global.

O peso dessas empresas trans­cende em muito o universo dos ne­gócios familiares. Segundo o Family Business Index 2025, as 500 compa­nhias listadas somam receitas de aproximadamente US$ 8,8 trilhões por ano. Se formassem uma econo­mia nacional, constituiriam o tercei­ro maior PIB do planeta, atrás ape­nas de Estados Unidos e China. O grupo emprega cerca de 25 milhões de pessoas em diferentes continen­tes e reúne empresas que, em mé­dia, atravessaram mais de oito déca­das de transformações econômicas, tecnológicas e políticas.

Longevidade

Mais im­pressionante que sua escala é sua longevidade. Quase um terço das empresas presentes no índice tem mais de cem anos de existência, evi­dência de uma capacidade rara de adaptação a mudanças tecnológi­cas, econômicas e geopolíticas. A força institucional dessas organiza­ções também se manifesta em sua capacidade de consolidar merca­dos. Quase metade das empresas presentes no índice realizou ao me­nos uma aquisição relevante nos úl­timos anos, transformando-se em agentes ativos de reorganização se­torial.

O Brasil oferece exemplos elo­quentes desse movimento. A JBS construiu sua posição entre as maio­res empresas de alimentos do mun­do por meio de uma longa sequên­cia de aquisições internacionais. A Gerdau, por sua vez, transformou­-se de siderúrgica nacional em gru­po industrial multinacional. Parcela significativa de sua receita provém atualmente das opera­ções na América do Norte. Em am­bos os casos, o crescimento não ocorreu apesar do controle familiar, mas em coexistência com ele.

Leia a íntegra da reportagem e da edição 169 da revista V.

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