É grande a pressão contra Flávio Bolsonaro e difícil sua caminhada até o dia 25 de julho, data da convenção do PL que deve formalizar seu nome para concorrer ao Planalto. Quanto mais o prazo limite se aproxima, maior é o “fogo amigo” que mira sua desistência.
Há na “lista de rebeldes” grupos considerados naturalmente “bolsonaristas”: mulheres conservadoras, evangélicos, grupos empresariais, eleitores independentes e partes do centrão.
Críticas raramente são feitas em campo aberto, pois há receio de virar alvo nas redes sociais. O deputado federal Eduardo Bolsonaro comanda, dos Estados Unidos, uma linha dura encarregada de enquadrar detratores, incluindo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Postura de herdeiro
A principal crítica é a de que Flávio é excessivamente autossuficiente e tem postura de “herdeiro”. Sem demonstrar comportamento de time, teria pouco diálogo com o núcleo do PL que foi montado para fazer alianças e elaborar seu programa de governo, privilegiando na tomada de decisões um grupo restrito e pessoal.
Entre alguns empresários, passou a circular o temor de que, caso seja eleito, Flávio tome decisões com pouco embasamento e diálogo, como apontam a que ocorreu nos EUA na defesa contra o tarifaço nesta semana.
Compreendendo que era o momento de reposicionar sua imagem no tema, percepção que se demonstrou acertada, considerando que o tarifaço é quase inevitável, ele confirmou no seu discurso várias das acusações que embasam a investigação da USTR. Além disso, prometeu, caso seja eleito, um maior alinhamento com os EUA, algo que não corresponde necessariamente ao interesse geral do empresariado brasileiro.
Dinâmica de isolamento
Pessoas ligadas ao bolsonarismo, mas não a Flávio, procuram caminhos para criticá-lo. O mais utilizado é o da falta de uma assessoria profissional que, no fundo, tenta alertar que Flávio não pode emular uma campanha solo como fez seu pai em 2018 e que é preciso voltar ao plano original de buscar uma frente ampla a partir de costuras políticas intensas.
Mas o fato é que o caso “Dark Horse” comprometeu essa estratégia. Na verdade, essa guinada à família e a dinâmica de isolamento não são movimentos autoinfligidos.
Pesquisas nas redes sociais mostraram à época do “Dark Horse” que, pela primeira vez, a militância digital bolsonarista perdeu ânimo. Com esse diagnóstico, Flávio mudou de trajetória. Ao invés de privilegiar eleitores independentes, correu para manter seu quinhão, dando mais espaço para Eduardo Bolsonaro e se abraçando ao bolsonarismo raiz.
Círculo
Com a incerteza gerada após o caso, potenciais apoios preferiram não se aproximar (por enquanto). Nos bastidores, assessores de Flávio dizem estar tendo problemas até para terem conversas com colaboradores habituais, em razão de eles temerem sofrer represálias na opinião pública.
Assim, se cria um ciclo negativo que amplia essa imagem de autossuficiência, incompatível com um projeto de frente ampla: aliados temem se aproximar de Flávio; reativamente, ele se agarra mais à família e aos seguidores mais fiéis; ao fazer isso, é visto como excessivamente isolado, o que não atrai apoiadores fora do espectro bolsonarista.
Essa situação, altamente tóxica para a sua candidatura, porque leva ao seu insulamento, criou a armadilha da qual ele precisa escapar, mas não tem conseguido.




