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POLíTICA

Mesmo com vantagem no centro, Lula apenas empata com direita

Novas pesquisas mostram que maioria do eleitorado, hoje, pende à direita, o que faz petista depender ainda mais da conquista de votos "centristas"

Há 179 dias • por Leonardo Barreto
Mesmo com vantagem no centro, Lula apenas empata com direita
Flávio Bolsonaro, em evento no Nordeste: pesquisas mostram que hoje, maioria do eleitorado pende à direita. Foto: Vittor Sales/Divulgação
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2:31

A primeira rodada da pesquisa Nexus/BTG e uma nova rodada da Paraná Pesquisasforam divulgadas na manhã desta segunda, 30.

Ambas trazem cenários quase idênticos.

No primeiro turno, Lula está numericamente à frente de Flávio Bolsonaro, mas ambos estão empatados na margem de erro: 41 x 38;

No segundo turno, pelo Paraná Pesquisas, a situação se inverte. Flávio vem numericamente à frente de Lula (45,2 x 44,1), mas em situação de empate técnico. Na pesquisa Nexus/BTG, o resultado é 46 x 46.

Eleitores de centro

Na corrida pelos eleitores de centro, que a pesquisa Nexus define em duas categoriais, “nem antilula, nem antibolsonaro” e “antilula e antibolsonaro”, o petista está na frente pelas preferências: 45×39 e 41×38, respectivamente.

Se Lula é mais forte com eleitores de centro e, mesmo assim, encontra-se em situação de empate (ou de desvantagem numérica), isso sugere que a maioria dos eleitores no Brasil está na direita.

Um indicador nesse sentido é exatamente a maioria de pré-candidatos à direita: Flávio, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. No cenário de primeiro turno, a soma dos postulantes da direita dá 48% contra 41%.

Reconhece-se que seria necessário um outro candidato de esquerda para deixar essa avaliação mais precisa. Só assim saberíamos quantos eleitores de esquerda estão votando na direita por rejeição a Lula. Mas isso não é possível com essa configuração.

O desafio de Lula

De todo modo, a hipótese principal trazida pelas pesquisas é que Lula precisa ir muito bem com eleitores de centro para empatar com um candidato de direita. Suas chances também dependem muito de fazer aumentar a rejeição dos seus adversários.

Um indicador de que o governo sabe que o eleitor mediano está na direita foi o discurso feito na cerimônia de sanção da Lei de combate ao crime organizado, quando ele disse que, agora, “a família do preso vai sofrer”.

O PT sempre teve parceria com a pastoral carcerária e apoiou politicamente todas as iniciativas de direitos humanos de presos. É responsável por boa parte das políticas públicas nesse campo. Se Lula começou a contrariar esse discurso histórico, é porque ele sabe que precisa obter alguns eleitores de direita para sua conta eleitoral fechar.

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