O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL-RJ), renunciou ao cargo. Já era esperado. Ele tem grandes chances de ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça, 24. A corte retoma o julgamento que o acusa de abusar de poder político e econômico nas eleições de 2022. Já há dois votos contra ele.
Condenado, Castro teria o mandato cassado e a inelegibilidade decretada por oito anos. A renúncia evitou o primeiro desfecho. Deu ao político a oportunidade de dizer que sai do governo “de cabeça erguida”. Resta a inelegibilidade, que ainda pode constar da sentença. Mas ela não impede que Castro concorra ao Senado por seu estado, como pretende fazer. Ele pode pedir o registro da candidatura e fazer campanha enquanto a questão é judicializada. Ganha tempo na ribalta, o que tem valor na política.
Processo eleitoral
O TSE avalia se a contratação de cerca de 20 mil funcionários fantasmas no Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Fundação Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) deu vantagem política a Castro quando ele buscou a reeleição ao governo, quatro anos atrás. Os contratados não cumpriam função nos órgãos e recebiam pagamento em dinheiro vivo. Seu verdadeiro papel seria trabalhar como cabos eleitorais na campanha de Castro.
Em 2024, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro concluiu que as contratações até poderiam constituir um ato de improbidade administrativa. Mas não seria possível afirmar que elas haviam desequilibrado a disputa em favor de Castro. Por isso, rejeitaram a ação contra o então governador. O Ministério Público Eleitoral recorreu e tudo indica que o TSE vai reformar a sentença da corte regional. A ministra Isabel Galloti, relatora do caso, deu um voto duro contra Castro.
Segurança pública
O governo de Cláudio Castro se encerra com boa aprovação dos eleitores. Ele aparece na frente nas pesquisas de intenção de voto para o Senado. Uma das principais razões para isso foi seu desempenho na segurança pública.
Em outubro de 2025, o estado realizou uma megaoperação contra o tráfico nos complexos do Alemão e Penha. Ela deixou 122 mortos, tornando-se a mais letal na história do estado. A população aprovou amplamente a ação.
De maneira geral, as políticas de Castro conseguiram reduzir o número de homicídios no Rio de Janeiro. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), ao longo de 2025 registraram-se 2.844 assassinatos no estado, uma queda de 42% em relação a 2018. As mortes por intervenção policial foram 798, com redução de 48% sobre 2018.
Rioprevidência
Antes de deixar o Palácio da Guanabara, Castro tomou precauções para manter a influência sobre o governo. Ele assinou um decreto que ampliou as atribuições da secretaria da Casa Civil, ocupada por seu aliado próximo Claudio Miccione. O cargo passou a ter autonomia para fazer gestão financeira, contratação de servidores e reestruturação da administração.
Mas há uma pedra no caminho do ex-governador, além da possível inelegibilidade. O fundo de previdência dos servidores do estado, o Rioprevidência, foi um dos que compraram titulos podres do Banco Master. Foi negócio de quase um bilhão de reais: R$ 970 milhões. Castro ainda será cobrado por isso.




