Com um teto de votos bastante rígido e uma rejeição consolidada, o presidente Lula avalia suas opções estratégicas para vencer as eleições. E uma delas pode ser estimular o voto nulo.
A campanha petista tem investido mais em ataques ao candidato Flávio Bolsonaro do que na defesa do legado do atual governo. Essa estratégia — chamada de campanha negativa — é tipicamente adotada por quem está atrás nas pesquisas, e seu objetivo é retirar votos do adversário.
Entretanto, pode ser que a campanha não esteja voltada para transferir votos de Flávio para Lula, nem esteja sendo direcionada aos eleitores do candidato do PL.
Na verdade, a campanha de Lula pode estar mirando os eleitores independentes que hoje consideram votar em um dos demais candidatos.
Segundo a pesquisa Nexus/BTG publicada hoje, a transferência de votos dos outros candidatos — Caiado, Renan, Cury e Zema — indica que 68,48% tendem a votar em Flávio no segundo turno, enquanto 31,52% tendem a votar em Lula.
Ao focar na campanha negativa contra Flávio, e sabendo da dificuldade de furar seu próprio teto de votos, Lula pode trabalhar para que eleitores de Caiado, Renan, Cury e Zema anulem o voto ou não compareçam ao segundo turno.
Dessa forma, Lula aumentaria o peso relativo dos seus votos.
O pensamento estratégico, considerando que o governo vive uma fase ruim de aprovação e Lula não tem muitos votos novos para conquistar, é criar um ambiente muito negativo para as eleições. Considerando que os petistas são fiéis, o cálculo envolve tirar eleitores independentes do jogo por meio do estímulo à rejeição ao adversário.




