O presidente Lula tem dito que não quer ser lembrado apenas como o “presidente do Bolsa Família” ou dos programas sociais em um eventual quarto governo. Em suas falas públicas, ele tem reforçado que pretende deixar um legado maior para o país, com foco em investimentos e desenvolvimento econômico.
Olhando para o cenário macroeconômico, a fala faz sentido. Embora boa parte da discussão esteja hoje concentrada apenas na questão fiscal e no gasto público, o Brasil chegou a um ponto em que sustentar taxas mais elevadas de crescimento exige ampliar a capacidade produtiva, por meio de investimentos públicos e privados.
O diagnóstico do Banco Central
Nesta semana, o recado foi reforçado também do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Em evento promovido pelo Santander, ele afirmou que o modelo de crescimento baseado na expansão da renda e do crédito chegou ao limite. Para ele, o caminho agora é expandir a produtividade.
O desafio dos investimentos
O problema é que há restrições dos dois lados. No setor privado, os juros elevados encarecem o financiamento e dificultam decisões de expansão. No setor público, o investimento continua limitado pelo pouco espaço no Orçamento.
Estudo do Santander mostra que o Brasil ainda vive uma situação de investimento público líquido negativo. Na prática, o setor público não investe o suficiente para compensar a depreciação da infraestrutura existente e ainda ampliar a capacidade produtiva.
Os sinais de Lula
O jornal Valor Econômico mostrou nesta semana que Lula decidiu avocar para si a condução das discussões sobre dois temas estratégicos para o desenvolvimento e a soberania: minerais críticos e inteligência artificial (IA), sem deixar os assuntos apenas a cargo das equipes ministeriais.
A decisão já dá uma dimensão do espaço que essas agendas devem ocupar, justamente por estarem ligadas a investimento, tecnologia e aumento da produtividade no país.
O nó fiscal
Mas toda essa agenda esbarra na questão fiscal. A deterioração das contas públicas pressiona os juros, encarece o financiamento e limita o espaço do próprio governo para investir. Isso sem citar a necessidade de avanços na agenda regulatória, voltada para a melhora no ambiente de negócios e redução da insegurança jurídica.
O diagnóstico do presidente pode estar na direção correta, mas colocá-lo de pé vai exigir esforço político. Por enquanto, ainda não há muitos sinais neste sentido.




