Com a convenção nacional do Novo marcada para esta segunda-feira (27), em Brasília, o calendário das principais candidaturas de oposição à Presidência da República entra em uma nova etapa. O evento deve completar o lançamento das quatro candidaturas oposicionistas que hoje aparecem como mais competitivas. A primeira delas foi a de Renan Santos, do Missão, realizada no último dia 20 em formato virtual. O candidato afirmou ter recebido ameaças de morte e, por razões de segurança, optou por promover a convenção pela internet. O partido confirmou uma chapa “puro-sangue”, tendo como candidato a vice o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina. Na sequência vieram as convenções de Flávio Bolsonaro (PL), no sábado (25), e de Ronaldo Caiado (PSD), no domingo (26), ambas em São Paulo. Agora, a expectativa se volta para Romeu Zema, cuja chapa ainda depende da definição do vice.
Flávio Bolsonaro aposta no legado do pai
A convenção do PL mostrou que a campanha de Flávio Bolsonaro procura caminhos para aproveitar a imagem e a força eleitoral de Jair Bolsonaro. O pai do candidato esteve presente por meio de um vídeo produzido com inteligência artificial, no qual declarou Flávio seu sucessor político e pediu apoio explícito à candidatura do filho.
O recurso acabou se tornando o principal fato político do evento. Enquanto a campanha sustenta que o vídeo respeitou as normas do Tribunal Superior Eleitoral por identificar claramente o uso de inteligência artificial, o PT leva o caso ao STF e ao TSE nesta segunda-feira, 27, argumentando que houve tentativa de contornar a proibição de manifestações político-eleitorais imposta ao ex-presidente.
Além da centralidade de Bolsonaro, a convenção levou Flávio Bolsonaro ao palco cercado por mulheres — entre elas a esposa Fernanda Bolsonaro, a mãe Rogéria, Michelle Bolsonaro, em vídeo, e Daniella Marques, nome cotado para a vice-presidência. O discurso buscou reduzir a resistência do eleitorado feminino, com propostas de endurecimento das penas para agressores de mulheres e castração química para estupradores. Ao mesmo tempo, preservou a identidade bolsonarista ao defender uma agenda conservadora, criticar o STF e afirmar que uma eventual reeleição de Lula abriria espaço para novas indicações de ministros alinhados a Alexandre de Moraes.
A presença do presidente argentino Javier Milei reforçou o propósito de inserir a campanha numa narrativa continental de avanço da direita. As menções de Milei a Lula e ao ministro do STF Alexandre de Moraes levaram o governo brasileiro a chamar para consulta o embaixador do país na Argentina.
Caiado tenta ocupar espaço entre Lula e Flávio
No domingo, Ronaldo Caiado oficializou sua candidatura pelo PSD, tendo Gilberto Kassab, presidente do partido, como vice. A convenção consolidou a estratégia de apresentar o ex-governador de Goiás como alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Caiado afirmou que chegará ao segundo turno e concentrou os ataques nos dois líderes das pesquisas, acusando Lula de provocar conflitos diplomáticos e Flávio de contribuir para a radicalização política. Procurou valorizar sua experiência administrativa em Goiás, enfatizando resultados de gestão e propostas de segurança pública. Entre elas, destacou-se a promessa de confiscar bens de condenados por violência contra mulheres e destiná-los às vítimas.
Apesar da definição da chapa, a convenção também evidenciou as dificuldades políticas do PSD para unificar seus quadros em torno da candidatura presidencial. Lideranças importantes do partido mantêm alinhamentos distintos nos estados, alguns apoiando Lula, outros Flávio Bolsonaro ou Romeu Zema, o que limita a construção de palanques nacionais homogêneos e reduz a capacidade de coordenação da campanha.
Zema busca um vice de projeção nacional
O Novo deve oficializar a candidatura de Romeu Zema nesta segunda. A principal indefinição permanece sendo a vice-presidência. Nas últimas horas, ganhou força a possibilidade de composição com o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa.
Zema declarou ter admiração pelo ex-ministro, ressaltando sua atuação no combate à corrupção e afirmando que ele representa um perfil distinto do de parte da atual composição da Corte. Caso o acordo seja concluído nas próximas semanas, a chapa poderá combinar o discurso liberal e gerencial do Novo com uma figura de reconhecida credibilidade.
Além da definição do vice, a campanha aposta que o início oficial da propaganda eleitoral e dos debates permitirá ampliar o conhecimento do eleitorado sobre Zema. A estratégia é apresentá-lo nacionalmente como gestor experiente, destacando sua passagem pelo governo de Minas Gerais e buscando consolidá-lo como alternativa competitiva no campo de centro-direita.




