A primeira grande fotografia da disputa pelo Senado no Rio Grande do Sul confirma uma tendência que deve marcar boa parte das eleições estaduais em 2026: a ausência de favoritos consolidados. Levantamento divulgado pela Paraná Pesquisas mostra que os principais pré-candidatos aparecem separados por poucos pontos percentuais, configurando um cenário de empate técnico e antecipando uma campanha em que alianças políticas, desempenho dos presidenciáveis e estratégias regionais poderão ser mais determinantes do que o capital eleitoral acumulado até aqui.
O levantamento mostra a ex-deputada Manuela d’Ávila (PSOL), o deputado federal Marcel van Hattem (Novo) e o ex-governador Germano Rigotto (MDB) tecnicamente empatados na liderança, com 30,7%, 28,6% e 26,3%, respectivamente. Embora disputem o mesmo cargo, os três dialogam com segmentos bastante diferentes do eleitorado gaúcho.
Manuela concentra votos no campo progressista e na esquerda tradicional. Van Hattem chega à disputa como um dos principais representantes da direita liberal e conservadora no Congresso, enquanto Rigotto busca ocupar o espaço do centro político, apostando na experiência administrativa e no recall construído durante sua passagem pelo governo estadual.
A pesquisa revela que nenhum desses campos políticos conseguiu, até o momento, consolidar hegemonia.
O peso da eleição presidencial
Outro elemento que tende a influenciar diretamente a corrida ao Senado é a eleição para presidente da República. Historicamente, campanhas majoritárias acabam impulsionando candidatos ao Legislativo, sobretudo em estados onde a polarização nacional se reproduz de forma intensa.
No Rio Grande do Sul, tradicionalmente um dos estados mais politizados do país, a nacionalização do debate pode favorecer movimentos de voto casado entre presidenciáveis e candidatos ao Senado. Ao mesmo tempo, abre espaço para que lideranças regionais consigam construir campanhas mais independentes quando apresentam forte identificação com pautas locais.
Disputa em aberto
A disputa gaúcha reúne praticamente todos os ingredientes de uma eleição competitiva: candidatos conhecidos, eleitorado dividido, dois assentos disponíveis e forte influência do cenário nacional. Por isso, o Rio Grande do Sul tende a integrar o grupo de estados que serão acompanhados de perto pelos partidos ao longo da campanha.
O resultado terá impacto sobre a correlação de forças da próxima legislatura. A renovação da Casa é tratada como prioridade tanto pelo governo quanto pela oposição, já que o Senado exerce papel decisivo em sabatinas de autoridades, indicações ao Supremo Tribunal Federal e no equilíbrio político entre os Poderes, além de ser a única Casa Legislativa do país a ter mandato estendido de 8 anos.
Se o quadro identificado pela Paraná Pesquisas permanecer nas próximas rodadas de levantamento, o Rio Grande do Sul deverá chegar à reta final das eleições como uma das disputas mais abertas do país.




