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POLíTICA

Governo compra risco excessivo em gestão da crise comercial com EUA

Aposta de que tarifaço trará dividendos eleitorais a Lula pode esbarrar nos seus efeitos econômicos, que logo virão

Há 71 dias • por Leonardo Barreto
Governo compra risco excessivo em gestão da crise comercial com EUA
Os presidentes Trump e Lula, durante encontro em 26 de outubro de 2025. Fotos: Ricardo Stuckert / PR
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A essa altura, qualquer analista júnior sabe que os EUA estão trabalhando objetivamente para transformar as Américas em sua zona de influência.

O governo brasileiro também compreende isso. Mas ainda não considera essa situação um fato consolidado. Ele tem a esperança de que o partido Republicano perca as eleições de meio de mandato e o presidente Donald Trump não tenha meios políticos de levar a cabo esse projeto.

As ordens de Lula para o Itamaraty, refletidas no comportamento dos negociadores, sempre foram no sentido de “enrolar” Trump, considerando que aquilo que fosse concedido agora seria dado como perdido e difícil de ser reavido depois, mesmo sob um governo Democrata.

Nesse sentido, Marco Rúbio não está de todo errado quando disse que não houve disposição do governo brasileiro de fazer a negociação.

Leitura míope dos fatos

Roberto Azevêdo, ex-OMC, de forma polida, disse que a atuação de Lula foi míope porque não reconheceu que o governo americano queria concessões, e não uma negociação de fato, caminho que outros países já trilharam.

Na verdade, o governo Lula se recusou a ceder. E tentou tirar dividendos eleitorais dessa resistência por meio de agressões unilaterais feitas contra Trump em toda a oportunidade que encontrou.

A questão, como tudo em política, não é saber o que é justo ou não. Mas quem pode mais e quem pode menos nesse tabuleiro.

Dividendos duvidosos

Reflete uma certa ignorância dizer que Lula vai tirar dividendos políticos dessa confusão porque as pessoas gostam quando ele confronta Trump.

O motivo é o fato de que a pesquisa se dá em um contexto no qual as pessoas ainda não sentiram as consequências dessa briga e nem têm ideia delas.

Quando os resultados da guerra comercial se mostrarem, aí é o momento de fazer as pesquisas de opinião. Quando isso acontecer, as pessoas não vão cobrar a família Bolsonaro, que pode até ser penalizada pela atuação errática do tema, mas vão direcionar a reclamação sobre quem está pilotando o avião.

O empresariado exportador, que é quem sente essa situação em um primeiro momento, tem se mostrado tímido nas reclamações públicas sobre a atuação do governo porque precisa ser resgatado por fundos públicos.

Muita política, pouca técnica

Mas o fato é que comungam da impressão de que essa crise foi gerenciada mais pela SECOM, que cuida da reeleição do presidente, do que pelo MDIC.

Se a motivação do governo americano foi de fato política, a reação do governo brasileiro não foi na mesma direção? É aqui que Lula se fragiliza no debate público sobre o tema.

O governo faz apostas de curto prazo: de que fustigar Trump ajuda a eleger Lula e de que Trump vai perder força no final do ano. Baseado nisso, comprou – e continua comprando – todo o risco que conseguiu.

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