A pesquisa Genial/Quaest mostra como crises internas — e as reações a elas — criaram um cenário desafiador para Flávio Bolsonaro. Para se ter uma ideia do tamanho da montanha que ele precisa escalar, mesmo entre eleitores ditos bolsonaristas, há mais indecisos do que apoiadores do senador.
- Na pesquisa espontânea, Flávio Bolsonaro recuou 3 pontos e aparece com 14%;
- No cenário estimulado, ele aparece com 28% após um pico de 33% em maio e 29% em junho;
- No segundo turno, Flávio tem 37% após um pico de 42% em maio e 38% em junho;
- A rejeição foi a 57%, cinco pontos maior do que em abril.
Os dados mais difíceis estão, no entanto, nos retratos estratificados.
Indecisos
Na votação espontânea, há mais indecisos na direita não bolsonarista do que votos declarados em Flávio (57 x 32). Na rodada anterior, essa relação era de 46 x 44.
O mesmo fenômeno, embora em menor intensidade, ocorreu entre bolsonaristas declarados: há mais indecisos (49%) do que eleitores de Flávio (45%). Na rodada anterior, a relação era de 45 x 50 em favor do senador.
No cenário estimulado de segundo turno, Flávio tinha 90% das intenções de voto da direita não bolsonarista e hoje tem 74% (-16 pontos). Entre bolsonaristas, o número caiu de 97% para 91% (-6 pontos) em relação à última rodada.
Por fim, entre eleitores independentes, a rejeição a Flávio chegou a 68%.
Brecha para desafiantes
Objetivamente, Flávio Bolsonaro entrou em um ciclo negativo desde o caso Dark Horse, aprofundado pelos vídeos de Michelle Bolsonaro.
Na campanha de Flávio já havia, um mês atrás, a percepção de que a natureza endógena das crises ameaçava o eleitorado fidelizado — cenário que aparece claramente no relatório da Quaest.
Como Lula domina a esquerda e a centro-esquerda (96% e 91% de intenção de voto no segundo turno), um espaço para uma candidatura alternativa só pode vir da direita. Nesse caso, a fragilização de Flávio é pré-requisito para que isso aconteça.
A fragilidade de Flávio deve moldar os embates no primeiro turno. A briga será para ver se alguém conquista o manto de “campeão” da direita. A dificuldade do líder estimula o apetite dos outros competidores.




