A 9ª fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal, tendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) como alvo principal. É um elemento de crise a ser gerenciado na campanha de reeleição de Lula.
As fotos dos dólares e dos relógios espalhados pela cama de um quarto de hotel usado pelo senador têm forte efeito. Para os observadores mais experientes, é inevitável lembrar das imagens proporcionadas pela Operação Lunus, realizada pela PF contra uma propriedade da então presidenciável e líder das pesquisas, Roseana Sarney (PFL-MA), e de seu marido, Jorge Murad, na qual foi apreendido um volume de dinheiro no valor de R$ 1,34 milhão.
A PF vazou a imagem do dinheiro apreendido e a campanha de Roseana derreteu.
Degradados
Nem de longe se espera que essa situação se repita na campanha de Lula. Como o próprio senador Jaques Wagner lembrou em sua entrevista pós-episódio de busca e apreensão, eles já passaram por coisa pior.
Pode ser, mas sempre a um custo alto para o entorno do Presidente. No mensalão e em outros episódios, ficaram pelo caminho José Dirceu, Antônio Palocci, José Genoíno, Delúbio Soares e João Paulo Cunha.
Não é fácil estar próximo a Lula.
Wagner não é uma figura qualquer. Sobrevivente do antigo PT, é um dos poucos “cabeças brancas” com acesso a Lula. Mas, como mostra a lista de degradados acima, antiguidade não garante blindagem, e soa até ingênua a entrevista dada pelo senador baiano, na qual ele afirma que espera uma solidariedade presidencial — porque não é isso que a história mostra.
Desgaste
Atuando por meio de “apurações de bastidores” plantadas massivamente na imprensa, Lula quer que Wagner o poupe do desgaste e peça logo para sair. Faz sentido: uma reação ruim a uma descoberta constrangedora pode gerar uma crise maior do que o fato original.
Não é fácil fazer uma análise de impacto agora e é preciso estar atentos aos limites de avaliação.
Estão certos os analistas que listam como consequência o desgaste da narrativa usada pelo PT de que esse problema era da direita. A presença do tema corrupção na imagem do governo fica reforçada. Para os estrategistas da reeleição, é fundamental observar o comportamento dos eleitores de centro.
Direita e articulação política
Outro elemento que não foi citado, no entanto, é o impacto do episódio nas redes bolsonaristas. Completamente desanimada depois do caso “Dark Horse”, a ponto de ser eleita como alvo prioritário por parte do novo núcleo de comunicação da campanha de Flávio Bolsonaro, a militância digital pode ver na situação uma possibilidade de voltar a se manifestar.
O impacto também é político, considerando a importância de Jaques Wagner para a articulação do governo no Congresso. Mas os parlamentares já estão quase de recesso e Wagner já vinha sendo questionado por seu desempenho, especialmente no caso da recusa de Jorge Messias para o STF. Assim, não é o caso de falar em uma crise ampliada de governabilidade.
Talvez a aprovação da jornada 6×1, que já tinha subido no telhado em razão da atuação de Davi Alcolumbre, seja definitivamente adiada.




