Já faz alguns meses que Lula disse, em um congresso de lideranças de esquerda realizado na Espanha, que não se conformava em não ser visto como “antissistema” e que a culpa disso era ter se submetido ao receituário econômico ortodoxo.
Ontem, no entanto, ele disse, em uma roda de líderes mundiais, que nunca foi esquerdista e que essa foi a receita para durar tanto tempo no poder. Rindo ao lembrar que os russos se referiam a ele como anticomunista, afirmou que a receita do sucesso é o caminho do centro.
Em busca do vício processual
Paralelamente, no STF, o ministro Gilmar Mendes já não esconde seu esforço para equiparar as investigações do caso Master às da Lava-Jato. A comparação, segundo o ministro André Mendonça, não é casual. Seu objetivo é “criar um vício processual” para, depois, anular todo o esforço.
Quando a Lava-Jato foi reduzida a pó, Gilmar não escondia que seu objetivo era disciplinar o Judiciário e “tirar o poder daquela gente”, como se referia aos juízes de primeira instância. Agora, no entanto, ele está lidando com um par, alguém mais difícil de controlar.
Ontem, comentava-se em Brasília que se falava muito em briga entre o STF e o Congresso. Hoje, a disputa está no intestino do Poder Judiciário.
“Geringonça” brasileira
Por fim, no comunicado sobre a Selic, o Banco Central parece ter se conformado com a falta de colaboração do governo para controlar a inflação. Na “geringonça” brasileira, em que a autoridade monetária aperta os juros e o Executivo é generoso nos incentivos, a coisa nem anda nem para.
Diante desse cenário, o BC está buscando alternativas e confessou que a inflação só chegará à meta em 2028. Outra briga que acontece nas entranhas do poder.
Os três episódios evidenciam a falta de linearidade da política e das políticas públicas no Brasil. Trata-se de uma falta de coordenação que indica uma desinstitucionalização importante, com impacto na previsibilidade dos eventos.




