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POLíTICA

Lula não é de esquerda, STF em crise e BC joga a toalha

Falta de coordenação na política e nas políticas públicas indica desinstitucionalização, com impacto na previsibilidade dos eventos

Há 99 dias • por Leonardo Barreto
Lula não é de esquerda, STF em crise e BC joga a toalha
O Ministro Gilmar Mendes, em sessão da segunda turma do STF. Foto: Antonio Augusto/STF
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2:20

Já faz alguns meses que Lula disse, em um congresso de lideranças de esquerda realizado na Espanha, que não se conformava em não ser visto como “antissistema” e que a culpa disso era ter se submetido ao receituário econômico ortodoxo.

Ontem, no entanto, ele disse, em uma roda de líderes mundiais, que nunca foi esquerdista e que essa foi a receita para durar tanto tempo no poder. Rindo ao lembrar que os russos se referiam a ele como anticomunista, afirmou que a receita do sucesso é o caminho do centro.

Em busca do vício processual

Paralelamente, no STF, o ministro Gilmar Mendes já não esconde seu esforço para equiparar as investigações do caso Master às da Lava-Jato. A comparação, segundo o ministro André Mendonça, não é casual. Seu objetivo é “criar um vício processual” para, depois, anular todo o esforço.

Quando a Lava-Jato foi reduzida a pó, Gilmar não escondia que seu objetivo era disciplinar o Judiciário e “tirar o poder daquela gente”, como se referia aos juízes de primeira instância. Agora, no entanto, ele está lidando com um par, alguém mais difícil de controlar.

Ontem, comentava-se em Brasília que se falava muito em briga entre o STF e o Congresso. Hoje, a disputa está no intestino do Poder Judiciário.

“Geringonça” brasileira

Por fim, no comunicado sobre a Selic, o Banco Central parece ter se conformado com a falta de colaboração do governo para controlar a inflação. Na “geringonça” brasileira, em que a autoridade monetária aperta os juros e o Executivo é generoso nos incentivos, a coisa nem anda nem para.

Diante desse cenário, o BC está buscando alternativas e confessou que a inflação só chegará à meta em 2028. Outra briga que acontece nas entranhas do poder.

Os três episódios evidenciam a falta de linearidade da política e das políticas públicas no Brasil. Trata-se de uma falta de coordenação que indica uma desinstitucionalização importante, com impacto na previsibilidade dos eventos.

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