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POLíTICA

A segurança pública como bússola eleitoral

Pesquisas mostram que o crime é a maior preocupação dos brasileiros, que carregam o medo constante de perder o patrimônio e a vida

Há 117 dias • por Carlos Graieb
A segurança pública como bússola eleitoral
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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3:38

O tema da segurança pública será incontornável nas eleições de 2026. Há números de sobra para mostrar que nada preocupa tanto os brasileiros quanto o crime, mas fiquemos com dois.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e o Datafolha divulgaram em maio a pesquisa Os Gatilhos da Insegurança. Segundo ela, 96,2% dos cidadãos com mais de 16 anos convivem com o medo constante de serem vítimas de um crime.

Em paralelo, o instituto Ipsos mostra que a preocupação com a violência deu um salto de 8 pontos percentuais em fevereiro e não voltou a cair. Em abril, 47% disseram esse era o tópico que mais os afligia no país (contra 39% do segundo colocado, a corrupção).

Clima de medo

Nem tudo são más notícias na segurança pública. O Atlas da Violência 2026, produzido pelo Ipea e pelo FBSP, revela por exemplo que o número de mortes violentas vem caindo de maneira consistente no Brasil desde 2018. No ano passado, atingiu o menor patamar da série histórica.

O problema é que isso não se traduz em tranquilidade para a população. Segundo o já mencionado Os Gatilhos da Insegurança, esse sentimento assumiu “a forma de um clima social persistente, amplamente disseminado entre a população, fortemente influenciado pelo medo de perder patrimônio e a ameaça à vida”.

O medo acarreta mudanças no comportamento de 57% da população. As pessoas passaram a evitar sair à noite, alteram trajetos habituais e evitam carregar o celular em locais públicos.

Proximidade do crime organizado

Outro achado relevante é a percepção da proximidade do crime organizado: 41,2% dos entrevistados afirmam que há grupos criminosos atuando em seus bairros. Muitos relatam que essas organizações impõem regras e influenciam decisões locais.

A insegurança atinge com mais intensidade mulheres, negros e pessoas das classes econômicas mais baixas, revelando que a violência, embora transversal, castiga alguns grupos de forma desproporcional. É sobre esse solo que as campanhas políticas vão se desenrolar.

Há também novidades no mundo do crime. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 (mais uma vez, do FBSP) detectou uma mudança significativa no perfil dos crimes patrimoniais no Brasil. Enquanto as modalidades tradicionais de roubo apresentam queda, o país testemunha uma explosão sem precedentes de estelionatos e fraudes digitais, que ultrapassaram a marca de 2,1 milhões de registros.

Infiltração no setor formal

Em estudo divulgado neste domingo, 31 de maio, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) detalha um fenômeno alarmante. Trata-se da infiltração sistemática de facções criminosas no setor formal e a expansão de mercados ilícitos que, somados, impõem um custo superior a R$ 107 bilhões por ano à indústria nacional.

Desse montante astronômico, cerca de R$ 39,1 bilhões referem-se a perdas diretas com furtos, roubos e fraudes, enquanto outros R$ 68,8 bilhões são drenados em gastos preventivos com segurança privada e seguros.

O crime impõe custos econômicos enormes ao país, além de fazer com que o cotidiano dos brasileiros seja tomado pelo medo. Ignorar esses fatos é ficar de costas para os eleitores.

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