Após o anúncio de que o presidente Lula fará tratamento radioterápico para câncer de pele, as chances de Haddad nas plataformas online de aposta deram um salto e chegaram em 8%. Elas refletem uma especulação sobre a possibilidade de o atual presidente não tentar a reeleição.
Este, no entanto, não é o cenário mais provável. Na verdade, o desejo do PT é ter Haddad como vice no lugar de Geraldo Alckmin. E o motivo é simples. Membros do partido não querem correr o risco de eleger Lula e, por um motivo de saúde, ganharem o ex-tucano como presidente.
Dessa forma, o PT não consegue esconder que gostaria de uma chapa puro sangue.
Alckmin
O problema é que Alckmin não parece disposto a ceder a vez. Meses atrás, sob pressão, ele disse que, se fosse preterido, voltaria para Pindamonhangaba e se aposentaria. A declaração afrontou à época a sugestão nada inocente de Lula de que, talvez, “precisasse do Geraldo em São Paulo”.
Ninguém sabe se Alckmin cairia calado. Mas o fato é que sua importância junto a eleitores de São Paulo, católicos e empresários, tornou quase proibitiva a sua substituição, especialmente na situação de desvantagem eleitoral que existia até um mês atrás.
Com Lula abrindo alguma vantagem sobre Flávio Bolsonaro e, com uma doença sugerindo uma fragilidade própria da idade, o PT pode ver uma oportunidade para voltar à carga, porque haveria espaço político para suportar o desgaste de um escanteamento de Alckmin.
E quem alimentou essa especulação foi o próprio Lula ao sugerir em um discurso de improviso que Haddad poderia desistir de tentar o governo de São Paulo para tentar “voos maiores”.
À época, muita gente interpretou, como estão fazendo agora, que Lula poderia estar preparando seu ex-ministro da Fazenda para assumir a titularidade da chapa nacional. Em razão dessa nova conjuntura, no entanto, é mais provável que Lula pense nele para uma vice e como um seguro contra imprevistos.
Preparando Haddad
Num exercício imaginativo, pode-se sugerir que o cancelamento do imposto das blusinhas atende também à estratégia de tirar um peso negativo das costas do ex-ministro da Fazenda e que seu estágio como pré-candidato de São Paulo foi calculado para que ele obtivesse mais espaço junto ao eleitorado do estado para minimizar o impacto na hora do anúncio da substituição.
Um movimento dessa natureza embute muito risco. Geraldo Alckmin foi fundamental para a eleição de Lula e ainda é, considerando que o petista precisa de um pouco de apoio de conservadores para se viabilizar. Uma saída traumática pode gerar um prejuízo significativo no estado que é o maior colégio eleitoral do país.
Mas, em favor dessa aposta, lembra-se que não seria a primeira vez que Lula deixaria um aliado pelo caminho caso isso ocorra, que há vontade do PT, que o fator saúde voltou com força ao radar e que a fragilização de Flávio Bolsonaro devolveu conforto ao projeto de reeleição.




