A pesquisa Nexus/BTG divulgada na manhã desta segunda (25) sugere fortemente que o principal fator de explicação da melhora de Lula (e sua volta à condição de favorito) tem mais relação com a evolução na avaliação do governo e menos com os problemas recentes enfrentados por Flávio Bolsonaro.
Isso reforça a hipótese principal de que essa eleição é sobre Lula e não sobre outros candidatos.
A pesquisa mostra um cenário muito próximo do que o Datafolha revelou na sexta, 22.
Variação nos números
No primeiro turno, a variação de Flávio Bolsonaro foi de apenas 1 p.p., chegando a 35%, enquanto Lula ficou estável com 41%.
No segundo turno, Flávio variou negativamente 2 p.p., chegando a 43%, enquanto Lula subiu 1 p.p., indo a 47%. Ambos estão empatados na margem de erro.
A rejeição de Flávio subiu 2 pontos (50%) e a de Lula caiu 1 ponto (47%). Também dentro da margem de erro.
No contexto de polarização, chama atenção o nível de desconhecimento dos outros candidatos: Romeu Zema (34%); Ronaldo Caiado (37%); Renan Santos (54%); Augusto Cury (57%); e Cabo Daciolo (42%).
Do total de votos detidos por Lula, 80% são dele e 14% são de anti-Bolsonaristas. No caso de Flávio Bolsonaro, o percentual é bem diferente: 65% são votos próprios e 32% são de anti-Petistas.
Efeito Vorcaro x ações do governo
O nível de conhecimento das relações entre Flavio Bolsonaro e Daniel Vorcaro foi em torno de 57%. Cerca de 5% dos votos de Lula (2,35% do total de eleitores) vieram depois do segundo turno. É pouco, mas em uma situação de empate técnico, faz diferença.
No entanto, as boas notícias para Lula estão na melhora da avaliação do governo. O número de pessoas que dizem que a atual gestão é ótima ou boa subiu 4 pontos (37%) e as que acham a administração ruim ou péssima recuou 3 pontos (40%).
Quem acha que a economia melhorou recentemente está em 42%, contra 40% que acham que piorou. E a soma de quem acha que vai melhorar (otimistas) está em 39% contra 29% de pessimistas. Esse número era de 31% de otimistas contra 41% de pessimistas em março!
Para completar, 71% souberam do fim da taxa das blusinhas e, desse total, 73% acharam a medida correta. Além disso, 73% ouviram falar do Desenrola 2.0.
Resumo da ópera
Os eleitores de Flávio Bolsonaro, movidos por sentimento anti-petista e pelo apreço ao bolsonarismo, formam uma base sólida e não sofreram tanto com o problema do relacionamento com o banqueiro Vorcaro.
A perda está entre eleitores não alinhados. E mesmo um pequeno grupo pode fazer a diferença em um contexto de empate técnico (vide 2022).
Mas a grande notícia para o governo é que sua aprovação vem melhorando, numa combinação de maior otimismo em relação à economia e aprovação de anúncios de novos programas.
Ou seja, a máquina, movida por propósitos eleitorais, está fazendo a diferença.




