Pesquisas tracking já apontavam uma reação da popularidade de Lula há duas semanas. Nesta quarta, 13, o relatório Quaest também mostrou o início de um processo de recuperação do presidente.
O indicador de aprovação subiu para 46% (+3) e o de desaprovação caiu para 49% (-3). A melhora ocorreu principalmente entre eleitores independentes (de 32% para 37% de aprovação).
O cenário eleitoral permanece empatado no segundo turno. Mas, agora, com Lula numericamente à frente: 42% x 41%.
Opinião dos independentes
Como disse Felipe Nunes, CEO da Quaest: “Neste último mês, o eleitor independente – que será decisivo – oscilou marginalmente em favor de Lula. As margens de erro aqui são maiores (4 p.p.), mas havia uma tendência negativa desde janeiro, que foi interrompida. Nos outros grupos, tudo igual.”
A avaliação “Ótimo+Bom” subiu para 34% (+3 p.p.). Lembrando que o índice mínimo para que ele tenha condições de competitividade é de 30%. A avaliação “Ruim+Péssimo” caiu para 39% (-3 p.p.).
A rejeição a Lula recuou pela primeira vez desde janeiro, indo para 53% (-2 p.p.), empatando com a de Flávio Bolsonaro (54%).
Hipóteses
É difícil cravar explicações para a melhora, considerando que o contexto inflacionário e de endividamento das famílias continua. Na pesquisa, no entanto, há indicadores de que o noticiário pontual e o programa Desenrola podem ter ajudado.
Por exemplo, na pergunta sobre viés da percepção do noticiário, se as pessoas estavam recebendo mais notícias positivas ou negativas, a melhora foi de 9 p.p.: foi de 23% de percepção positiva para 32%.
Na sequência, 70% disseram ter sabido do encontro entre Lula e Donald Trump e 60% disseram que ele foi “bom para o Brasil”. A pesquisa começou no dia 8, um dia após a reunião entre os líderes.
O programa Desenrola é visto como uma “boa ideia” por 50% dos entrevistados. Entre os eleitores independentes, 48% aprovaram e 21% possuem uma imagem negativa.
A proibição do uso de BETs para quem aderir ao programa tem apoio de 79%. Aqui cabe uma observação: o posicionamento do presidente contra as apostas pode ser uma ponte para ele voltar a falar com o público conservador, considerando que essa restrição é maior do que 68% em todos os espectros ideológicos.
As ameaças a Lula, no entanto, continuam bem vivas: 69% acham que os preços dos alimentos subiram no último mês; 69%, que o poder de compra diminuiu comparado a um ano atrás; 51% acham que está mais difícil conseguir um emprego e 55% acham que Lula não merece mais 4 anos no governo.
Conclusões
1. A pesquisa é uma boa notícia para o petista porque interrompe quatro meses de piora e ensaia uma recuperação, mesmo que ainda na margem.
2. Lula, no entanto, ainda está em condição de empate com um candidato que não tem a mesma capacidade de atuação e de comunicação que ele.
3. Lula conseguiu não ser visto como “pato manco” pela população e os programas anunciados ajudaram a dar vitalidade ao governo, mostrando que ele ainda tem capacidade de ação.
4. No entanto, os principais problemas estruturais continuam aí: percepção de inflação e baixo poder de compra.
5. A recuperação sugere que a máquina estatal está se movendo e produz acertos (Trump e Desenrola). Mas, em um cenário tão empatado, é de se esperar que elementos de noticiário e de conjuntura apareçam nas pesquisas, criando uma gangorra nos gráficos e nas expectativas.
Lula ganhou fôlego, mas está longe de estar confortável.




