Uma maneira de acompanhar o desempenho de nomes que concorrerão à presidência da República é por meio de agregadores estaduais. A lógica é buscar pesquisas locais com perguntas sobre a eleição presidencial e montar um painel, respeitando o peso de cada unidade da federação no resultado nacional.
Em pesquisas nacionais, é preciso lidar com muitas clivagens. É mais fácil estratificar amostras em um estado, onde a população tende a ser mais homogênea. Por isso, agregar pesquisas estaduais fornece uma promessa de encontrar amostras mais fidedignas. Essa é a principal vantagem desse método.
O principal problema: agregar pesquisas de institutos diferentes e de momentos diferentes, que podem representar uma defasagem de semanas. Há uma perda em termos de controle de qualidade, pois muitas formas de abordar o eleitor se misturam (presencial, por telefone etc.).
51% x 45%
Apesar dessas limitações, que existem em qualquer tipo de estudo, esse método foi capaz de cravar os resultados nas eleições de 2022, no primeiro e no segundo turno.
Dito isso, vamos aos dados, que levam em conta as pesquisas mais recentes dos diversos institutos que compõem a amostragem.
Lula e Flávio estão empatados no primeiro turno, com 43% dos votos válidos.
Flávio vence Lula no segundo turno por 51% a 45% (votos válidos).
Comparado ao primeiro turno de 2022, Lula perdeu, em média, 5,7 pontos percentuais.
Lula tem variação positiva em relação a 2022 apenas em quatro estados: São Paulo, Distrito Federal, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul.
Problemas no Nordeste
As principais variações negativas do presidente estão no Nordeste, com destaque para Maranhão e Piauí, com mais de 10 pontos em cada.
Uma parte da explicação para a perda de votos maior na região Nordeste é o desempenho extraordinário que Lula nesses estados em 2022. Ele já estava no teto e não havia muito mais espaço para crescer.
É preciso explorar as realidades locais de cada estado. Uma das variáveis é o desempenho dos governos locais e o surgimento ou não de candidaturas oposicionistas competitivas.
De todo modo, o agregador de pesquisas estaduais traz um resultado mais favorável à oposição do que os estudos nacionais disponíveis.




