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POLíTICA

15 dias para medir a saúde política de Flávio Bolsonaro

É preciso aguardar pesquisas que capturem tanto o efeito do noticiário e quanto da reação do candidato para fazer um diagnóstico adequado

Há 130 dias • por Leonardo Barreto
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Há dois critérios para avaliar a “saúde” da candidatura de Flávio Bolsonaro após a revelação da sua relação com Daniel Vorcaro: pesquisas de intenção de voto e a reação de possíveis aliados.

O primeiro é uma evidência direta a respeito do impacto do escândalo na sua viabilidade eleitoral. O segundo é uma evidência indireta e mostra a percepção do estrago pelo olhar de outros políticos. A depender do veredito, eles vão buscar se afastar ou não do projeto.

O tempo do diagnóstico

Sobre as pesquisas, vai ser preciso esperar. Trackings vazados (pela legislação, esse tipo de pesquisa não pode ser divulgado) mostram que Lula e Flávio saíram de uma situação de empate para uma situação de 49 a 41em favor do petista.

Esse tipo de pesquisa, ainda mais sendo feito por recrutamento em redes sociais, que é onde o evento mais reverbera, tem seus limites. É preciso uma pesquisa que também pegue o público offline e que seja feita em um intervalo de tempo que permita analisar, além do evento, como as pessoas perceberam a reação de Flávio Bolsonaro.

Dentro do PL, estima-se que 15 dias é o período mínimo para o partido fazer uma avaliação mais concreta da situação.

Cautela na direita

Enquanto isso, no entanto, outros políticos preferem assumir uma distância prudencial do assunto.

No fim de semana, Tarcísio de Freitas decidiu não comparecer ao evento de lançamento da candidatura de Guilherme Derrite para o Senado, que teve a presença de Flávio Bolsonaro. Nas redes sociais, o deputado federal Nikolas Ferreira não fala sobre eleição presidencial desde a quarta, dia 13.

O jornalista e analista Alon Feuerwerker apontou sabidamente que o evento da semana passada tem potencial de abalar a “calcificação” (termo da moda) do cenário de antagonismo entre Lula e Flávio Bolsonaro. Nesse sentido, abriu-se uma janela de oportunidade para entrantes de direita que se apresentam para o jogo.

Por isso, Flávio Bolsonaro teve mais trabalho se defendendo de ataques da própria direita – especialmente de influenciadores – do que da esquerda. Como notou Alon, instalou-se um clima de “guerra civil” nas redes sociais.

O peso das alianças

Pesa a favor de Flávio, no entanto, um longo trabalho de costura político já feito em muitos palanques estaduais. O senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha, tem dito que já tem 22 palanques estaduais montados, duas vezes mais do que o presidente Lula.

Isso significa que há um custo político em trocar Flávio Bolsonaro agora. Mesmo o Novo, partido de Romeu Zema, que vai dividir alguns palanques com o PL, pediu ao ex-governador mineiro e pré-candidato presidencial que diminuísse a temperatura dos ataques para não prejudicar alianças já feitas.

Nesse sentido, pesquisas instantâneas, a guerra das redes, fogo amigo e distância prudencial são indicadores ruins para a manutenção da candidatura. Mas toda a costura já feita e o tamanho da estrutura do PL dão um peso inercial favorável à continuidade de Flávio. Criam um cenário que só vai mudar se as pesquisas com todos os públicos (online e offline) mostrarem um resultado negativo contundente.

Por isso, se você perguntar no PL se a candidatura de Flávio segue firme e forte, provavelmente vai ouvir: “volte daqui a duas semanas”.

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