É possível entender o cálculo feito por Lula e Flávio Bolsonaro ao não comparecerem aos debates. Ambos querem “fechar o mercado” e transformar o primeiro turno da eleição em um mero protocolo.
Esse cálculo, no entanto, carrega riscos. E, pela análise do primeiro debate da Band, eles são maiores para o petista.
O foco são os eleitores independentes
Considerando a última pesquisa Nexus, 41% hoje dizem votar em Lula, 37% em Flávio e 22% em outros candidatos, considerando apenas os votos válidos.
Sabemos que a volatilidade de eleitores bolsonaristas e lulistas é baixa e tanto Lula quanto Flávio precisam buscar votos entre os independentes. Não é difícil prever que vencerá a eleição quem conseguir se comunicar fora da bolha.
Alvos
Na primeira chance que tiveram para falar com esses eleitores, no entanto, Lula e Flávio preferiram esperar mais um pouco.
Como candidato à reeleição e único candidato da esquerda, Lula foi o mais criticado. Flávio ficou em segundo lugar na quantidade de acusações recebidas, mas bem distante do presidente.
Esse dado é importante porque, se repetir a estratégia de não comparecer aos próximos debates, Lula será um alvo mais frequente sem qualquer movimento de defesa própria diante dos eleitores independentes, que decidirão a eleição.
Força para a oposição
Além disso, uma pesquisa qualitativa contratada pelo Estadão com grupos de eleitores mostra que Ronaldo Caiado teve 60% de menções positivas. Como ele deve apoiar Flávio em um eventual segundo turno, seu crescimento juntos aos eleitores independentes também contribui para que a oposição ganha força.
A estratégia conservadora de Lula e Flávio, a partir da análise do primeiro debate, sugere que os riscos são maiores para o petista porque é ele quem apanha mais diante dos eleitores independentes e o candidato que mais obteve atenção positiva (Caiado) tende a apoiar o candidato do PL no segundo turno.
Lula não verá seu piso ser reduzido, mas pode ver seu teto de votos ficar mais baixo.




