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POLíTICA

Pesquisa Meio/Ideia traz virada improvável no Centro-Oeste

Lula surge à frente de Flávio Bolsonaro em região que deu vitória folgada ao pai do senador em 2022

Há 103 dias • por Leonardo Barreto
Pesquisa Meio/Ideia traz virada improvável no Centro-Oeste
Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: PR e Agência Senado
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A pesquisa Meio/Ideia, nos dados segmentados sobre o Centro-Oeste, mostra Lula liderando com 46,7% contra Flávio Bolsonaro, que aparece com 38,3%. Se o dado corresponder à realidade, trata-se de uma virada drástica em relação a 2022, quando Jair Bolsonaro obteve 60,2% dos votos válidos na região, apenas 0,6 ponto atrás da região Sul, que ocupou o primeiro lugar no ranking de votos para o ex-presidente.

Essa mudança, altamente improvável, levanta dúvidas sobre o instrumento. Isso significa que a pesquisa foi enviesada — de propósito ou acidentalmente? Não necessariamente.

Distorções nos estratos podem aparecer porque o desenho amostral da pesquisa foi feito para representar o país nacionalmente, observando suas características gerais. Se a pesquisa fosse direcionada a uma região ou estado em especial, os parâmetros seriam outros, como o percentual de pessoas de determinada classe econômica.

Por exemplo, no Brasil, estima-se que 61% das pessoas pertençam à classe C. Na região Centro-Oeste, esse número é de 52%. Uma pesquisa nacional que considera o primeiro número assume o risco de produzir uma leitura distorcida quando recortada por regiões ou estados.

Este texto não pretende fazer uma defesa da pesquisa Meio/Ideia, mas apenas apresentar possibilidades explicativas reconhecidas metodologicamente e apontar os limites de leituras estratificadas.

Dito isso, vamos aos resultados.

Lula no mesmo lugar

Considerando todo o primeiro semestre, Lula não conseguiu melhorar a avaliação positiva do governo. Começou o ano com 35%, oscilou para baixo até tocar o piso de 31,5% em maio e fechou julho com uma leve reação, registrando 32,5%.

Também manteve praticamente estável a avaliação negativa, que abriu janeiro em 41,4%, subiu de forma consistente até atingir 46,4% em abril e 46,3% em maio e, em julho, voltou para 41%.

O público que deixou de avaliar o governo negativamente na última rodada migrou para a categoria “regular”, que passou de 21% para 24,5%.

De todo modo, como todas as variações estão dentro da margem de erro, o que se pode dizer é que, mesmo com orçamento extra, novos programas e gastos recordes com publicidade, Lula não saiu do lugar.

Por que, então, parece que Lula aumentou seu favoritismo? Pela resiliência de seus eleitores e pela percepção de fragilidade de Flávio Bolsonaro. A rejeição de Flávio atingiu 43,4% (+3,6 pontos), mas ainda é menor do que a de Lula (46,4%).

Avenida para uma terceira via

Chama atenção uma pergunta sobre qual seria o melhor resultado possível para o Brasil na eleição de 2026, sem apresentação de nomes de candidatos: 36,2% afirmam que o melhor seria a vitória de um candidato moderado, que não seja nem Lula nem Bolsonaro; 35,5% preferem que a família Bolsonaro volte; e 25,3% desejam que Lula vença novamente.

O sentimento potencial de terceira via (36,2%) é, numericamente, o maior bloco da pesquisa nessa pergunta específica, superando as bases consolidadas da polarização tradicional.

Outro dado que chama muita atenção é o número da pesquisa espontânea: 33,1% responderam “não sabe”, superando Lula (32%). Foi um salto de 9 pontos em relação à última rodada. Somando esse dado aos que declararam voto em ninguém, branco ou nulo (8,5%) e aos que citaram outro candidato (3,9%), chega-se a uma fatia de 45,5% dos eleitores que não se alinham espontaneamente aos polos da política brasileira, o que coloca em dúvida a tese da polarização.

Por que o potencial da terceira via não se realiza?

Primeiro, pelo cálculo estratégico que se disseminou no eleitorado brasileiro: para não ter Lula, é preciso votar em Flávio, e vice-versa. Ou seja, a liderança de ambos nos cenários estimulados bloqueia a intenção de voto em outros candidatos, considerando que a prioridade é impedir a vitória de um ou de outro.

Mas é preciso fazer uma consideração: as pessoas ainda não pararam para pensar nas alternativas existentes, como sugere o alto nível de desconhecimento de Renan, Zema e Caiado: 17,1%, 16,5% e 32,7%, respectivamente. Nossa hipótese é que o cenário tende a se mover quando a campanha começar e a eleição passar a fazer parte da agenda do eleitor comum.

P.S. 1: É notável que Renan Santos já tenha o mesmo nível de desconhecimento de Romeu Zema.

P.S. 2: O fato de Zema e Renan terem menos desconhecimento do que Caiado mostra que as redes sociais conseguem massificar imagem. Caiado talvez tenha errado ao não investir nas redes.

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