Entrando como um furacão na corrida eleitoral, Pablo Marçal mobiliza a atenção das redes sociais como poucos, podendo ser comparado apenas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao deputado Nikolas Ferreira.
É difícil especular sobre suas reais intenções e mesmo sobre a viabilidade jurídica da sua campanha. Já aprendemos que, em análise política, julgam-se os resultados das ações e não as suas razões.
Nesse sentido, pode-se dizer que Pablo Marçal, de saída, tira palco de Renan Santos e pode prestar grande colaboração a Flávio Bolsonaro.
A missão de Renan
O candidato do Missão investe pesado nas redes sociais e tem uma equipe de profissionais oriundos da mesma escola de comunicação de Pablo Marçal.
Seu “reformismo radical” (nas palavras dele) mira chocar e “roubar” a liderança da direita da família Bolsonaro, que trilhou por caminho parecido em 2018. Outro objetivo é ser viável em 2030, na era pós-polarização.
A convergência dessas metas faz de Flávio Bolsonaro o verdadeiro alvo de Renan Santos. Críticas a Lula são um passo para se aproximar do eleitor antipetista. Mas a desconstrução do candidato do PL é o que realmente importa considerando que ele busca ser o principal líder da oposição.
Sabendo disso, Flávio está inclinado a optar por uma postura mais defensiva no primeiro turno, condicionando sua participação nos debates à presença de Lula. Na ausência do petista — e até com ele —, Flávio sabe que será o alvo preferencial.
A cartada Marçal
É nesse sentido que Pablo Marçal virou uma poderosa cartada.
Além de dividir o palco digital com Renan Santos, o influenciador vai acusá-lo de se comportar como um “para-choque” de Lula, considerando que suas críticas a Flávio devem ajudar o petista.
Em suas primeiras falas, Marçal buscou reposicionar Lula no centro das críticas políticas e denunciar Renan por não comungar do “objetivo comum” de retirá-lo do Planalto. Assim, o candidato do Missão passará de pedra a vidraça aos olhos dos antipetistas.
Ao “bagunçar” o debate, a presença de Marçal tende a chamar tanta ou mais atenção do que as ausências de Lula e Flávio Bolsonaro e a diminuir a potência dos ataques de Renan. Dessa forma, neste primeiro momento, é ele que deve passar a atuar como para-choque de outro candidato.




