Nesta segunda, 17, a campanha de Ronaldo Caiado comunicou o desligamento do marqueteiro Paulo Vasconcelos.
Não há confirmação oficial a respeito dos motivos, mas é fácil especular sobre pelo menos uma razão.
Caiado está lutando para chegar ao segundo turno da eleição presidencial. Como a única vaga disponível para ele é a de Flávio Bolsonaro, ele tem feito ataques ao candidato do PL.
O problema é que Goiás, embora seja o reduto de Caiado, também é fortemente bolsonarista. Em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro obteve 58,71% dos votos do estado no segundo turno.
Atacar Flávio pode criar constrangimentos para candidatos ligados a Caiado, como sua esposa, Gracinha Caiado, que é candidata ao Senado e precisa de votos bolsonaristas para se eleger.
Nos bastidores, é atribuído a ela o pedido para que Caiado ajuste o discurso em relação ao candidato do PL.
Convicção e falta de interesse
O fato de os candidatos de fora da polarização não conseguirem melhorar a pontuação nas pesquisas pode não estar relacionado ao comando das suas campanhas. A última pesquisa Quaest, publicada no dia 14, traz dois dados que mostram que os eleitores não estão dispostos a prestar atenção em outras candidaturas.
O primeiro é o índice de convicção da escolha feita. Para 69% dos entrevistados, a decisão do voto já está tomada e é definitiva. Quando perguntados em relação ao nível de interesse na eleição presidencial, no entanto, apenas 36% dizem estar muito interessados.
A combinação dessas duas informações é impactante. Ela indica que as pessoas já definiram sua escolha e não se sentem incentivadas a prestar atenção no debate que seguirá daqui até outubro.
Trata-se de um fenômeno estudado e conhecido como “eleitor inercial”. Ele tende a decidir apenas com o estoque de informações que já possui e, sem interesse na eleição, fica pouco suscetível para abrir a possibilidade de considerar candidatos novos. A dicotomia entre Lula e Bolsonaro (o sobrenome), para ele, já resume a política e é suficiente para que possa tomar sua decisão.
Nesse sentido, o desafio de Caiado e outros candidatos de fora da polarização é, antes de apresentar o próprio nome, criar interesse dos eleitores pela eleição, algo difícil de se fazer.




