Confirmando o diagnóstico de que o presidente Lula tem um teto baixo de popularidade e de que todo o esforço em torno de novos programas, gastos e comunicação teria efeito limitado, a pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda, 29, mostra a interrupção do ciclo de melhora da popularidade do governo.
Barreiras
A aprovação do governo — medida pelos eleitores que aprovam o trabalho do presidente — parou de subir e se estabilizou em 48%, mesmo patamar da rodada anterior. Além disso, houve crescimento da desaprovação dentro da margem de erro, de 1 ponto percentual, levando o indicador aos mesmos 48% da aprovação.
A avaliação positiva do governo (ótimo/bom) também ficou estável, em 38%, enquanto a percepção negativa (ruim/péssimo) subiu de 40% para 42% nas duas últimas rodadas.
O filtro ideológico e a percepção negativa da economia aparecem como as principais barreiras para a evolução de Lula.
Nesse aspecto, mais da metade dos eleitores (51%) avalia a economia do país atualmente como ruim ou péssima, enquanto apenas 17% a consideram ótima ou boa. Na comparação entre a economia atual e a do governo passado, a percepção também tende ao negativo: 42% acreditam que a economia do país está um pouco ou muito pior em relação à gestão anterior, enquanto outros 39% avaliam que a situação econômica permanece igual.
O problema da abstenção para Lula
Na simulação de segundo turno, Lula registra 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio Bolsonaro. Considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais, o cenário aponta empate técnico entre os dois candidatos. A diferença, que chegou a ser de 6 pontos percentuais, foi reduzida pela metade em 15 dias.
Em um cenário tão apertado, a abstenção passa a ser uma variável decisiva. Os números da pesquisa mostram que, pelo perfil das pessoas que mais se abstiveram nos dois pleitos anteriores, essa é uma questão que deve preocupar mais Lula do que os candidatos oposicionistas.
Quando considerados apenas os eleitores que declaram ter comparecido às urnas em 2018 e 2022, a vantagem de Lula no segundo turno cai para apenas 1 ponto percentual: 47% a 46%.




