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POLíTICA

Chapa Caiado-Kassab facilita a vida do PSD nos acordos regionais

Uma vez que o ex-governador de Goiás não tem crescido nas pesquisas, opção por chapa puro-sangue reduz obstáculos para acertos estaduais

Há 109 dias • por Carlos Graieb
Chapa Caiado-Kassab facilita a vida do PSD nos acordos regionais
Ronaldo Caiado anuncia Gilberto Kassab como vice. Foto: Reprodução/YouTube
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Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, anunciou nesta quarta, 1, que terá  como vice Gilberto Kassab, presidente nacional do partido. Com isso, encerram-se as especulações sobre possível aliança com outra legenda – o que talvez não favoreça a campanha presidencial, mas fortalece a estratégia nacional do PSD. Com uma chapa puro-sangue, o partido encontra menos obstáculos para fazer acordos reginais à esquerda ou à direita e para lidar com diretórios estaduais que têm vínculos com outros presidenciáveis.

Alianças para quê?

Em entrevista publicada pelo Correio Braziliense, Kassab rejeitou a interpretação de que o PSD tenha buscado alianças e afirmou que a opção pela chapa exclusivamente partidária foi deliberada. “O PSD não tem identidade com as outras candidaturas. (…) A chapa pura preserva ainda mais a nossa identidade. O que li em alguns meios de comunicação é equivocado: nós não procuramos nenhum partido para fazer aliança”, declarou.

A indicação de Kassab tem menos relação com a expectativa de ampliar votos na corrida presidencial e mais com a capacidade de organizar a campanha. Como principal articulador político do PSD, o paulista continuará responsável pela construção dos palanques estaduais, pela coordenação das negociações regionais e pela integração dos diferentes diretórios do partido. Sua presença na chapa facilita a consolidação de apoios e dá mais peso aos compromissos assumidos nos estados.

Gestão de recursos

Pode haver também uma dimensão financeira na escolha. O PSD controlará cerca de R$ 421 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, a quarta maior cota entre os partidos. Embora a distribuição dos recursos dependa da Executiva Nacional e das regras eleitorais, a presença do dirigente na chapa deve acelerar decisões sobre a destinação dos recursos partidários.

Desde que assumiu a pré-candidatura, Caiado não conseguir converter sua boa avaliação no governo de Goiás em crescimento consistente nas pesquisas nacionais. Diferentes levantamentos o mostram com algo entre 2% e 4% das intenções de voto. Na pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta, por exemplo, ele aparece com 3,1% no principal cenário de primeiro turno.

Com isso, cada vez mais, a campanha parece ter a função de ampliar a visibilidade nacional da legenda, estruturar uma narrativa própria de centro-direita, fortalecer os palanques estaduais e impulsionar as candidaturas proporcionais. Ainda que distante dos líderes nas pesquisas, a candidatura presidencial amplia a capacidade de mobilização do partido e cria melhores condições para ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados e no Senado. Em outras palavras, aumentar a fatia do fundo partidário destinada ao PSD e sua influência do partido no próximo ciclo legislativo.

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