O deputado Marco Feliciano (PL-SP) direcionou algumas mensagens nas redes sociais a Flávio Bolsonaro, pedindo que ele não caia na narrativa de que existe uma conspiração evangélica contra sua candidatura.
Em uma delas, ele diz: “Meu irmão @FlavioBolsonaro, você acredita mesmo que evangélicos conspiram contra ti? Coloque os galos de rinha dentro da caixa, antes que não tenhamos mais o que fazer. Ou querem nos mandar embora também?”
Por “galos de rinha”, entendem-se influenciadores com audiência entre bolsonaristas que estariam insuflando ataques contra lideranças evangélicas. Para eles, Michelle Bolsonaro teria sido induzida por pastores e chefes de igreja a fazer as críticas que fez a Flávio Bolsonaro.
Militância na rede
Certamente pesa a favor desse diagnóstico uma entrevista do bispo Rodovalho, fundador da Igreja Sara Nossa Terra. Ele reclamou que o segmento ainda não havia sido procurado e afirmou que, pessoalmente, endossaria uma alternativa eleitoral a Flávio, como a própria Michelle Bolsonaro.
Há várias postagens de militantes bolsonaristas nas redes defendendo que os insatisfeitos devem deixar o barco e, nessa esteira, muitos evangélicos, como Feliciano, estão se sentindo atingidos.
Em outro post, ele diz: “Toda solidariedade à irmã @Mi_Bolsonaro (Michelle Bolsonaro). Para quem dizia que ela era uma aproveitadora, ontem entregou o cargo de presidente nacional do PL Mulher. E, pela lei, não precisava deixar o cargo para concorrer. Espero que seja candidata ao Senado!”
Lições
Há pelo menos três lições importantes nesse episódio.
Primeiro, o bolsonarismo, como movimento político, está longe de ser homogêneo. Tem divisões internas significativas, que precisam ser contempladas por negociação política ou podem rachar o grupo e comprometer o projeto eleitoral.
Segundo, o uso de linhas auxiliares do embate político, via influenciadores, é uma estratégia de altíssimo risco. Como mostrou o episódio de Paulo Figueiredo, ao acusar mulheres de não saber votar, os interesses de comunicadores e de políticos nem sempre coincidem. Um quer audiência e investe na polêmica; o outro quer votos de todos os espectros, o que exige ser conservador e cuidadoso em suas opiniões.
Terceiro, apostar que apenas o sentimento anti-PT é forte o suficiente para manter a ordem unida é uma ilusão frágil.
Controle sobre o entorno
O resultado é que pode estar a caminho uma caracterização de Flávio como um líder que não tem controle sobre o próprio entorno. Se isso ocorrer, ele perde toda a sua capacidade de atrair moderados.
A respeito dessa crítica, defensores do senador dizem que ele tem perfil democrático e plural, e que vai firmar suas convicções sem desautorizar seus apoiadores, que não falam por ele.
No papel, a estratégia pode parecer correta. Mas o fato é que esses atores são identificados com Flávio em razão da proximidade amplamente demonstrada. Discordar de uma fala polêmica de um deles dias depois do ocorrido pode não ser suficiente em um mundo de rápida construção de opiniões.
Galos de rinha
O fato é que, se até os evangélicos, apoiadores resilientes, mostram-se incomodados e receosos, imagine o que está sendo transmitido a centristas e independentes.
O freio de arrumação que Flávio precisa fazer, nesse sentido, é um claro enquadramento de seus “galos de rinha”. Sem isso, o senador corre o risco de parecer passageiro no projeto que diz pilotar e cada vez mais frágil diante dos eleitores não bolsonaristas que precisa conquistar.




